Holland Roden | WereWolfCon Brussels Portrait by KLZ Events [x]
Havia sido ideia de James.
A princípio a garota de cabelos avermelhados demonstrou estar relutante com relação a sugestão do namorado.
Lily estava acostumada a estar certa, tanto que essa era praticamente uma constante naqueles muitos meses de relacionamento. Admitir que quem
estava com a razão era, na verdade, o seu namorado, era algo
tremendamente novo para ela, mas não tinha como ser diferente. James
Potter parecia conhecê-la melhor do que ela mesma e era apenas natural
que ele soubesse exatamente do que ela precisava. E por Merlin, ela
precisava de um pouco de normalidade mais do que tudo em sua vida, e
James havia enxergado isso antes mesmo da própria Lily.
“Você espera que eu tome chá e saboreie guloseimas enquanto estamos no meio de uma guerra?” Ela perguntou, soando mais cruel do que desejava, mas ao invés de respondê-la num comentário igualmente sarcástico, James massageou seus ombros enquanto lhe convencia de que não havia nada de errado nisso. Se começassem a dormir, comer e respirar uma guerra, logo perderiam a sanidade, e não havia nada de errado em reunir pessoas queridas, afinal. O faziam com extrema frequência no fim das contas, a charmosa casa servindo de segunda morada para Sirius, Remus e Peter, as vezes até como sede de algumas reuniões da Ordem quando decidiam revezar o local dos encontros para que nenhuma suspeita fosse levantada sobre a organização.
Evans concordou com um dar de ombros e um pequeno sorriso, prometendo pensar a respeito. Mandou uma coruja para Mary MacDonald e Emmeline Vance no dia seguinte para fazer o convite e, dois dias depois, esperava do lado de fora da casa, abraçando a si mesma e o cardigã creme que usava para proteger-se daquela tarde nublada de Abril, os olhos verdes muito alertas para qualquer movimentação ao longo da rua trouxa em que moravam. Em outros tempos, talvez não se desse ao trabalho de esperar pelas amigas no meio da rua, como se a qualquer momento pudessem ser surpreendidos por alguma ameaça, mas aqueles eram dias sombrios, dias de guerra, de desaparecimentos. Havia perdido a sua mãe em um ataque há menos de um mês e não poderia arriscar perder aqueles que amava também.
Os dois estampidos soaram na vizinhança e poderiam ser facilmente confundidos com um motor de carro muito antigo, mas Lily sabia exatamente do que se tratava. Quando as duas garotas apareceram próximo ao beco ao final da rua, Lily caminhou na direção das duas amigas com um sorriso aliviado no rosto, abraçando-as rapidamente. “Estou tão feliz que concordaram em vir. Há quanto tempo não fazemos isso? Semanas? Meses?” A ruiva realmente não conseguia se lembrar da última vez que havia se reunido com as amigas para simplesmente conversar e deixar o tempo passar. “Vamos, é melhor irmos entrando ou o chá vai esfriar.” Mentiu. Pouco se importava com o chá, o que queria era que voltassem depressa para a proteção dos feitiços defensivos da casa.
ya lit meme [14/10] female characters
lily evans (harry potter)
“Not only was she a singularly gifted witch, she was also an uncommonly kind woman.“
Conforme a data do seu aniversário se aproximava, Remus percebia detalhes estranhos ao seu redor. O rapaz estava longe de ser o mais extrovertido do seu grupo de amigos, contudo mantinha sempre uma boa convivência com todos. No entanto, percebeu que algumas pessoas estavam evitando conversar por muito tempo com o mesmo. Sua mente sempre viajava para a razão mais pessimista existente, a descoberta do seu segredo, porém Remus tentava focar no que estava à sua frente, não uma realidade alternativa que sua mente buscava sempre reproduzir. O que fez o garotos de cabelos castanhos claros ficar mais intrigado era que seus amigos estavam estranhos, saindo escondido sem o chamar e conversando aos cochichos com algumas certas pessoas, que pelo resto do dia o olhavam de lado. Talvez, pensou, ele tivesse pegado pesado no último sermão com os amigos. Porém não justificaria os cochichos e nem os olhares de lado. Remus, sempre com um livro escondendo suas expressões enquanto observava seus amigos e colegas, concluiu que estavam aprontando uma peça de presente. Faria mais sentido, principalmente por causa da data se aproximando. Ele acreditava nisso, uma peça e talvez uma pequena celebração na torre da Gryffindor com os mais próximos. Remus jamais esperaria que a dimensão da comemoração tomasse três das quatro casas de Hogwarts e tantos esquemas para que todos pudessem frequentar um lugar fora do horário.
Para Lupin era estranho que dezenas de pessoas viessem em sua direção tão sorridentes lhe desejando o melhor, recebesse tapinhas nas costas e agradecendo pela oportunidade de estar na festa. Seu pescoço estava dolorido, de tanto que acenava, e suas bochechas estavam também doloridas do sorriso que tinha que sustentar. Era tão estranho ser o centro da atenção. Ele era um maroto, mas estava acostumado com James e Sirius desviar a atenção para os mesmos. Não fazia diferença para si passar despercebido, Remus era agradecido porque isso o livrava de perceberem as características de seu problema peludo. Lupin, no entanto, estava admirado com o trabalho em equipe, não somente dos outros três marotos como dos amigos mais próximos que estavam bastante envolvidos e dos monitores que se prestaram ao papel de levar os convidados de suas casas até a sala precisa.
Após cumprimentar tantas pessoas, havia até perdido a contagem numérica, se dirigiu a mesa de bebidas. Precisava de algo para molhar sua garganta e deixá-lo mais tranquilo - sua parte monitor estava ali para fazê-lo pensar nas dezenas de alunos fora de suas camas, entrar na sala precisa era fácil, como sairiam dali alterados que era o problema. Era seu aniversário, poderia se deixar no luxo de se divertir e ser totalmente maroto naquela noite. Escutou a voz animada de Lily quando metade do primeiro copo que tomava naquela noite passava por sua garganta. A ruiva visivelmente já havia tomado mais bebidas do que ele, o pensamento o fez rir. “Obrigada, Lils!” Agradeceu retribuindo o abraço caloroso que recebia. “Ué, eu pensei que a fantasia fosse seu único presente da noite.” Constantou alegre para a ruiva sorridente. Sua festa não somente excedia em proporções como também era à fantasia. Por ter sido uma surpresa para o rapaz, não havia como ele planejar esta parte. Graças à Merlim, seus amigos e Lily se lembraram dos longos monólogos que Remus fez sobre a febre trouxa “Star Wars” e haviam lhe comprado uma túnica Jedi. Mais precisamente de Luke. Ele sabia que para tal, Lily deveria ter sido quem mais mexeu os pauzinhos. “Aliás, eu que tenho te agradecer por essa túnica Jedi, quando me falaram sobre vestir uma fantasia, eu pensei em todas possibilidades possíveis de escolha dos outros e acredita todas as opções tinham potencial de arruinar a noite.” Comentou divertido e depois colocou o dedo diante dos lábios olhando na direção onde os três outros marotos alegres pela bebida se divertiam conversando com um grupo de garotas. Terminou seu copo de bebida, entornando outro em seguida.
Não estava bêbada, talvez um pouco alegre, o suficiente para ser capaz de ingerir cervejas amanteigadas e doses de firewhiskey sem fazer qualquer careta ao sentir o álcool arder em sua garganta como fiendfyre. Entretanto, aqueles que a conheciam bem poderia perceber o entusiasmo exagerado, a voz ligeiramente aguda, a energia que parecia não ter fim e os movimentos atrapalhados e nada graciosos. A bebida não havia sido capaz de fazê-la duvidar do chão embaixo de seus pés, mas Lily estava alcoolizada o suficiente para achar graça em como sua espada de mentira ficou presa ao sabre de luz de Remus quando se desfazia de seu abraço. “Ora, não reclame! Não é todo mundo que ganha mais de um presente de aniversário, isso é para poucas pessoas!” Fingiu estar zangada com ele, dando um tapa em seu braço enquanto franzia o cenho antes de começar a rir. “A fantasia nem seria o seu presente de verdade. Na verdade, até poderia ser porque é uma ideia genial, modéstia à parte, mas eu tenho estado generosa demais e resolvi comprar mais um.” Deu de ombros, tomando um gole da garrafa de cerveja amanteigada que segurava em uma das mãos, se gabando um pouco do quão excelente podia ser como amiga.
“Consigo pensar em até um terceiro presente! Porque nós iremos travar uma luta jedi até o fim dessa festa, Remus Lupin, preferencialmente bêbados porque acho que seria ainda mais hilário. Sim, minha espada, seu sabre de luz, acho que todos deveriam sair de perto quando isso acontecer porque será épico. Sei que você está pensando nisso desde que te dei essa fantasia. Apostaria dez sicles que você até tentou iniciar uma batalha com alguém mas não foi muito divertido porque lutar sozinho deve ser bem charo. Pois bem, eu tenho uma espada. Uma espada! This is going to me fun!” A ruiva desembainhou sua réplica da espada de Godric Gryffindor como se segurasse uma preciosidade em mãos, mostrando-a para o amigo com um grande e eufórico sorriso enquanto falava rápido demais, quase se esquecendo que segurava uma arma em mãos e que poderia muito bem espetar alguém por acidente.
“I just simply am not a dater. I think I have been on three official dates in my life. They are like job interviews and I refuse to be romantically employed. I would rather have a half assed version of a relationship with someone who I truly enjoy spending time that might not want to marry me or even “officially call me theirs” than a marriage proposal to someone that just looks good on paper.”
An endless list of romance ☛ James Potter & Lily Evans
And one day they shared a kiss, but before that they shared many arguments, for he was cocky, and she was sweet, and matters of the heart require time.
– Well, they do say it’s lovely there this time of year. – James retorquiu, com um sorriso displicente nos lábios. – Or isn’t that what they mean when they say that you just “can’t leave” Azkaban? – Acrescentou, franzindo o cenho em uma expressão cômica de dúvida, sua teatralidade evidenciando ainda mais o sarcasmo que já era bem perceptível pelo seu tom de voz. Bufou, ou ao menos o ruído que deixou escapar soou como se bufasse, mas era mais uma mistura de riso e impaciência, quando a ruiva puxou o pulso com força para escapar de aperto. E deixou que ela prosseguisse com suas queixas sem interrompê-la, pressionando o indicador e o polegar sobre as pálpebras por trás da armação escura dos óculos.
Quando voltou a abrir os olhos e sua visão retomou o foco, notou marcas de gordura nas lentes e retirou os óculos para limpá-los na blusa. E então, mesmo com a visão embaçada pôde sentir o olhar de Lily sobre ele, embora não fosse capaz de discernir que tipo de olhar ela lhe dirigia. Mas não precisou especular muito pois logo a colega de monitoria já verbalizava seus pensamentos com uma afirmação não muito lisonjeira, mas provavelmente legítima. – Ouch… thanks. – Gracejou, voltando a esboçar um sorriso. Ele sabia exatamente sobre o que ela estava falando. He felt like shit. There was really no reason why he shouldn’t look like shit. A noite passada claramente tinha deixado suas marcas, mas ainda não eram nada comparadas com o que Remus tinha que passar constantemente. Podia só imaginar o quão exausto o amigo estaria e o cansaço era sempre a menor de suas preocupações. – Nothing wrong, It’s actually more of an aesthetic choice, y’know, like the whole messy hair thing. I just decided to take a step forward from there. – Mas ao notar o zelo no olhar da menina ao pôr os óculos de volta se sentiu um tanto comovido e sua atitude mudou um pouco, o sorriso de deboche rapidamente se transformou em algo mais acolhedor. – I’m fine. Just tired, that’s all. It was a rather busy night.
Alguns meses adiante, Lily Evans olharia para aquela manhã em que passou trancada com James Potter no dormitório masculino do sétimo ano de gryffindor com um sabor agridoce em sua garganta. Ela lembraria do tempo e energia gastos em uma frustrante e boba discussão a respeito dos deveres que tinham como Head Boy e Head Girl mas, mais do que isso, iria chegar a conclusão, depois de muito analisar todos os momentos divididos com o capitão do time de quadribol, que foi exatamente ali que as coisas começaram a mudar. Ela estava muito cega na época para se dar conta por si só, mas se fosse um pouco mais inteligente (poderia ser uma aluna brilhante, mas quando se tratava de assuntos do coração, ela podia ser mais estúpida que um trasgo montanhês adulto) perceberia as sutis mudanças como, por exemplo, a súbita pontada de preocupação que sentiu quando finalmente o olhou com um pouco mais de atenção. James parecia tão absolutamente exausto que a garota de cabelos ruivos se sentiu culpada e insensível por não ter percebido isso antes e, ao invés disso, ter explodido por conta de relatórios inacabados para a reunião com McGonagall, algo que agora parecia tão pequeno e tolo. Outro sinal bastante pertinente foi como pensou consigo mesma, em uma fração de segundo, que ele parecia atraente sem os óculos, encarando-a como se não a enxergasse de verdade enquanto limpava as lentes no tecido da camisa do uniforme. Ela agradeceu pela miopia de James não permitir que ele notasse qualquer coisa que a denunciasse.
Lily ignorou os seus próprios pensamentos e os gracejos dele, não esperando por explicações e avançando na direção do rapaz sem cerimônias ou hesitação para olhá-lo mais de perto, depositando a mão na curva entre seu maxilar e pescoço para sentir sua temperatura, analisando-o cuidadosamente enquanto procurava por algo. “Are you certain there is nothing wrong? You look quite ill.” Concluiu com uma expressão séria e preocupada. “I’ve got energy potions back at my dorm if you’d like some. I would fetch them for you if… well, if that prick hadn’t locked us in here. But I would only give them to you if you promised me to pass by the hospital wing later. You know, just to make sure everything is fine.” Ela não mais o tocava agora, mas ainda carregava preocupação em seu rosto, no cenho franzido e no olhar firme. Lily tinha mania de cuidar daqueles que a cercavam até mesmo quando eles não desejavam isso e ela não se sentiu estranha ao tentar cuidar de James Potter. Ao contrário, lhe pareceu extremamente natural, tão autêntico quanto o fato de as vezes o achava um idiota. “Rather busy night, huh?” Um meio sorriso surgiu em seu rosto quando ouviu James comentar a respeito de sua noite ocupada, e então tudo fez sentido para Lily. “Forget about my potions, then. I’m perfectly sure you can manage to regain your energy by yourself. You’re not sick, you’re just exhausted from shagging all night.” Deixou escapar, dando de ombros e cruzando os braços a medida que o sorriso que carregava se tornava mais divertido, quase malicioso.
Conforme o aniversário de Remus Lupin se aproximava, foi se tornando cada vez mais difícil esconder a festa surpresa que Potter, Black e Pettigrew organizavam. Lily tentou mostrar-se últil aos colegas da melhor forma que podia, seja colaborando para manter Remus totalmente cego para o que acontecia bem embaixo de seu nariz, oferecendo-se para ajudar nos encantamentos dos distintivos dos monitores ou até mesmo candidatando-se como monitora responsável em levar os alunos da casa de Godric Gryffindor até a misteriosa sala do sétimo andar do castelo. Não era uma tarefa muito fácil, veja bem, porque além do número generoso de estudantes para guiar levando em conta apenas a luz que emitia do distintivo que ela levava em uma das mãos, todos eles estavam fantasiados, o que tornava o trajeto mais difícil ainda, especialmente quando paravam para conversar entre si sobre suas fantasias e acabavam se distraindo. Haviam sido muito sortudos por chegar a sala precisa sem sustos e imprevistos e, com o avançar das horas, aquele salão parecia borbulhar de jovens bruxos e bruxas conversando, dançando e aproveitando todo o álcool proporcionado pelos Marauders e os gêmeos Prewett. A contar pela quantidade de estudantes bêbados, aquela festa certamente estava sendo um verdadeiro sucesso.
Lily ajustou a enorme réplica da espada de Godric Gryffindor atada a sua cintura por um cinto de couro enquanto tomava mais alguns goles de sua cerveja amanteigada. Estava bastante orgulhosa de sua fantasia, uma versão feminina do fundador de sua casa cuja ideia que lhe pareceu nada menos do que genial. Vestia calças de camurça cor de chocolate com botas até os joelhos da mesma cor para acompanhar, um confortável espartilho por baixo de uma túnica vermelho escuro com amarrações em tiras de couro em seu colo, mangas bufantes e uma capa de veludo vermelho escuro que ia até os seus joelhos e tinha o leão de Godric bordado no tecido para não restar dúvidas sobre quem estava fantasiada. Seu enorme e ondulado cabelo avermelhado estava meio preso em diversas tranças, finalizando a fantasia bastante elaborada que havia levado semanas para ser montada mas que exprimia nada menos do que orgulho em quem a vestia. Talvez tivesse exagerado um pouquinho em seu house pride, mas isso certamente não era algo do qual se envergonhava.
“Remus!” Exclamou quando avistou o amigo próximo da mesa de bebidas, apressando-se para encontrá-lo já que achar o aniversariante livre em sua própria festa era algo raro. “Happy birthday!” Gritou entusiasmadamente (talvez a quantidade de cervejas amanteigas ingeridas tivesse uma parcela de culpa), esticando-se para abraçá-lo com um enorme sorriso no rosto. “E não se preocupe, o seu presente já foi comprado, encomendado e está muito seguro em meu dormitório até que eu possa entregá-lo para você. Tenho certeza de que vai gostar bastante, não vai ter do que reclamar este ano.” Adiantou, balançando a cabeça positivamente enquanto sorria para o melhor amigo, lembrando-se do pequeno fracasso que havia sido o presente de aniversário que havia lhe dado no ano passado, algo que, felizmente, seria definitivamente esquecido esse ano graças ao que havia escolhido para ele.
Marauders’ party | Lily Evans as female Godric Gryffindor
Não era incomum se encontrar naquele tipo de situação. Aliás, era uma cena bem comum.
Era de conhecimento geral - ou ao menos assim parecia - que se você tivesse algo contra os marauders (leia-se provavelmente um slytherin) a melhor forma de se vingar é não atacar o bando, mas o elo mais fraco. E de longe, todos podiam dizer que esse elo era Peter.
Estava acostumado; Mesmo antes de Hogwarts, as crianças do bairro diziam coisas ofensivas e faziam piadas de mal gosto com ele. Não foi surpresa que em Hogwarts também lidasse com isso e logo aprendeu que passear sozinho pelo castelo, podia se tornar bem mais difícil para ele que qualquer um dos seus colegas. No começo, tentava ficar sempre junto com os outros três, mas conforme ia crescendo, via que isso só se tornava mais motivo para que o xingassem. Não queria ser chamado de bebezinho, que não conseguia ir a nenhum lugar sozinho, de dizerem que seguia James como um cachorrinho idiota. Não, não queria. Seria fácil deixar que falassem , mas ainda tinha uma pontinha de orgulho. Podia não conseguir evitar encontros hostis com os slytherins e também podia não conseguir se defender, mas ao menos não daria a satisfação de abaixar tanto a cabaça assim para eles. Mesmo que no final, ninguém notasse ou ligasse para seus “pequenos gestos de bravura” ao menos ele podia se contentar repetindo isso para si mesmo. Não ia se esconder, se era isso que esperavam dele.
Aquela noite não fora diferente. Devia ter pensado nisso, quando pegou a rota que achara ser a mair rápida de chegar até o salão principal, mas também uma das menos usadas. Acabou sendo cercado por um grupinho de slytherins que tentava (ou melhor, conseguiam muito bem) provocar-lhe e ameaçar-lo com ofensas. Mantinha o olhar baixo, a postura meio encolhida, na esperança de que se ficasse submisso, não partiriam para ataques físicos ou magia. Esperava que o grupo só estivesse atrás de um pouco de diversão gratuita e não de realmente atacar alguém.
Se surpreendeu ao ouvir a voz de Lily, vislumbrado brevemente a expressão de irritação no rosto de seus agressores ao também perceberem a presença da monitora. Lançou um sorriso rápido de gratidão para Lily, agradecendo mentalmente que ela tivesse chegado ali no momento certo.
Seus olhos iam de Lily até os slytherins, vendo a reação deles. Dois deles pareciam achar que não valia a pena encarar Lily, mas um deles parecia particularmente ansioso pra se meter em encrencas maiores. Achava admirável as palavras de Lily. Queria ter coragem suficiente para ele próprio se defender assim, mas já que não conseguia. estava mais do que grato a ruiva. Palavras do pai sobre ter que ser “mais forte que mulheres” passou pela sua mente, mas sinceramente, aquilo só se encaixava na lista de motivos pelos quais Peter não gostava do pai; Conhecia mulheres muito fortes, como a própria Lily, e não via problema algum em elas serem mais habilidosas do que muitos rapazes. Só se sentia grato de ter amizade com garotas assim.
Correu para perto dela, assim que percebeu a deixa e o sinal mudo.
- Obrigado. - Sussurrou assim que chegou ao seu lado. Puxou sua varinha também, tentando fazer uma cara mais intimidadora do que realmente se sentia, mas sabia que não ia funcionar, depois de ter deixado que eles pisassem encima dele daquele jeito. Mas pelo menos, Lily saberia que ia ter seu apoio, mesmo que não fosse fazer realmente muita diferença.
Seu pai costumava dizer que ela se importava demais.
O tom de August Evans não era depreciativo ou sequer dava a entender que essa fosse uma característica negativa a respeito de sua filha mais nova. Pelo contrário, era com um pequeno e orgulhoso sorriso que ele repetia aquelas palavras para ela, sempre acompanhadas de um pequeno conselho que nunca realmente pareceu muito claro para seus ouvidos de menina mas que ela ouvia com atenção da mesma forma. “Don’t let the world harden your heart or make you care less and less about people.”
Sendo exatamente como o pai a descrevia mesmo tantos anos depois, era perfeitamente natural que que tornasse excessivamente protetora com seus amigos. Essa era uma característica tão absolutamente essencial a seu respeito quanto seus cabelos avermelhados, o fato de gostar de pintar as unhas com esmaltes coloridos ou de preferir chá ao invés de café. A gryffindor só se sentia perfeitamente bem quando tinha certeza de que todos ao seu redor também se sentiam do mesmo jeito, de forma que seu bom humor acabava sendo ligeiramente afetado quando sabia que algum amigo estava passando por um momento complicado. Não era proposital, mas a sensação de que algo estava errado não a deixava em paz quando percebia que alguém que se importava não estava em seu melhor momento, como se os problemas de seus amigos drenassem não somente as energias deles mas as suas também. E mesmo que não fosse tão próxima de Peter Pettigrew quanto era de, por exemplo, Remus Lupin, Lily sentiu a necessidade de interromper o que quer que estivesse acontecendo naquele corredor e defender o colega de casa.
A ruiva soava confiante, mais do que realmente se sentia. Ela sabia que este era o segredo da intimidação e que sair vencedora de uma situação como aquela dependia muito de mostrar-se segura daquela forma. Apesar de ser uma bruxa talentosa e de sempre ter uma considerável lista de azarações na ponta da língua, não poderia simplesmente fechar os olhos para o fato de que tinha não somente um mas três alunos mais velhos da casa de Salazar a sua frente e que, confiante ou não, ela e Peter estavam em desvantagem.
Mas, milagrosamente, seu teatro parecia ter dado certo porque, no instante em que Peter se afastou deles para aproximar-se da gryffindor com um “obrigado” entre os lábios, os três rapazes direcionaram aos dois um último olhar zangado e uma derradeira ameaça antes de darem as costas e seguirem pelo corredor escuro. E quando eles não estavam mais a vista, foi inevitável respirar aliviada como se estivesse prendendo a respiração desde que havia chegado ali.
“Essa foi por muito, muito pouco! Ufa! Estava começando a pensar que eles realmente iriam duelar conosco!” Exclamou ainda um pouco ofegante, devolvendo a varinha para o bolso interno do sobretudo do uniforme e finalmente olhando para o rosto pálido de Peter sob a luz dos archotes presos nas paredes de pedra do castelo. “Está tudo bem, Peter? Não sei o que eles disseram a você, mas eu diria que você provavelmente não deve dar ouvidos a eles.” Lily gesticulou com uma das mãos como se pedisse para que Pettigrew esquecesse tudo que lhe foi dito naquele corredor, já que provavelmente nada de bom poderia sair da boca de pessoas como aqueles três rapazes, que pareciam estar mais do que dispostos a amedrontar alguém sem qualquer motivo. “Isso provavelmente não sairá barato e eu aposto que aproveitarão uma nova oportunidade para importuná-lo, então acho que você deveria estar melhor preparado da próxima vez.” Havia uma nuance de preocupação em sua voz quando se dirigiu ao garoto a sua frente, seus olhos um pouco mais sérios enquanto apertava os livros contra o corpo. Não era como se duvidasse se Peter era ou não capaz de cuidar de si mesmo, mas aquela era certamente uma prova de que aquela tarefa não parecia ser muito fácil para ele. “Você pode sempre pregar uma pequena peça como vingança, não é mesmo? Show them that you are not someone they should mess with. But if someone asks, that was not my idea!” Lily riu, fazendo menção de continuar seu trajeto pelo corredor, soando agora um pouco mais divertida e bem humorada já que estavam fora de perigo.